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8 de Março – Dia Internacional da Mulher | De mulher para Mulher

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Eu sempre costumo lembrar a mim mesma o quão dura pode ser uma rotina. Entre o corre daqui, o corre dali e os tantos outros compromissos que o dia a dia exige, a falta de tempo se torna constante, principalmente para as coisas prazerosas da vida. Mas, e infelizmente não posso ignorar este fato, as rotinas se tornam muito mais cruéis para nós mulheres.

As complicações da dupla jornada que a maioria das mulheres passou a assumir estão, certamente, entre os motivos que me levam a atestar tal fato. É muito difícil conciliar todas as tarefas que o trabalho dentro e fora de casa implica sem deixar algumas coisas de lado. Logo, na maioria dos casos, o único momento que a mulher encontra para fugir da tensão passada ao longo da semana é quando ela está em sua própria casa. Jantares em família ou entre amigos ficam especiais apenas pelo simples fato de ser a hora em que todos podem se reunir, conversar com calma, sem a pressa ou estresse habitual e curtir.

Assim, sob essa perspectiva, arrumar a casa, decorá-la, se atentar aos detalhes de uma mesa bem posta, bonita e receptiva para todos se torna agradável para muitas mulheres; é uma forma de se aproximar de quem se gosta. Contudo, essa é uma perspectiva singular e que necessita de muitíssimas ressalvas – que eu aproveito do contexto proporcionado pelo oito de março para fazer.

Por anos, e até hoje – ainda que tenha melhorado, é verdade – as mulheres adotaram as funções que lhes foram impostas como únicas e incontestáveis: ser boa mãe, boa esposa, prendada, mas nunca questionadoras, assertivas e inteligentes.

Até entendermos, e nos fazermos minimamente entendidas, que sim, outros espaços na sociedade poderiam ser ocupados por nós, demorou. Foram muitas lutas para que isso acontecesse e o dia oito de março, por exemplo, marca uma muito importante.

De uma forma bem básica (e bem básica mesmo, pois a história é mais ampla), o dia internacional da mulher remete à ocupação de uma fábrica têxtil de Nova Iorque feita pelas próprias trabalhadoras desta. Ocorrida em oito de março de 1857, as mulheres que participaram da ocupação estavam em busca de melhores condições de trabalho, como a diminuição da carga horária, que atingia quinze horas diárias, e a igualdade de seus salários em comparação ao dos homens. Como resposta, elas foram trancadas dentro da fábrica e, então, queimadas.

Após este episódio, outras lutas aconteceram e, por meio de um lento processo de afirmação, a mulher foi se colocando cada vez mais no cenário social. É possível encontrar, hoje, mulheres liderando grandes empresas e ocupando outros tantos lugares de destaque no mercado de trabalho.

Porém, as coisas não ficaram mais fáceis com o passar do tempo, afinal, o pensamento dominante no mundo ainda é o do homem. Os casos em que uma mulher ganha menos apesar de desempenhar a mesma função que um homem ainda são constantes, mostrando a enorme desigualdade de gênero em que vivemos.

Além disso, nós, mulheres, ainda temos que lidar com todas as pressões que a nossa posição não privilegiada na sociedade nos causa. O tempo todo nossa competência é questionada, sentimos dificuldades para impor nossas ideias e – aqui voltamos à questão da crueldade das rotinas – lidamos com todos os desdobramentos que as duplas jornadas trazem.

Hoje, as famílias chefiadas por mulheres são inúmeras. Solteiras e até mesmo casadas, as mulheres têm tomado para si mais responsabilidades além das domésticas que já possuíam. Sem uma justa divisão das tarefas dentro de casa, a mulher se alterna ao longo da semana e, como conseqüência, acaba se sobrecarregando em uma rotina muito mais intensa do que a do homem. Na pesquisa feita pelo Ipea em 2009 (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), baseada em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), esse fato fica ainda mais claro: enquanto uma mulher à frente de uma família de casais com filhos dedica em torno de 30,3 horas por semana nos afazeres domésticos, um homem na mesma condição atinge apenas 10,1 horas por semana.

Ou seja, nessa configuração da dupla jornada, vemos que a posição histórica do homem continua a mesma, enquanto que a mulher, muitas vezes, mais do que desempenhar diferentes papeis dentro da sociedade, passou a acumulá-los.

Entretanto, é preciso entender que a questão é mais complexa do que foi colocada aqui. Mulher pode sim gostar de arrumar a casa, encontrar uma brecha no cansaço da rotina e sentir prazer com isso, mas estou longe de querer dizer que ela deva arrumar a casa como se essa fosse uma tarefa exclusivamente feminina. As generalizações dos pensamentos machistas, enraizadas na sociedade, são erradas e precisam ser combatidas.

Então, se aplicarmos todas as necessárias ressalvas feitas neste texto aos jantares e encontros que podem acontecer à noite, ao chegar em casa depois do trabalho, o prazer (e o dever) de se preocupar com os detalhes do jantar e a decoração, que antes era só da mulher, pode se tornar de todos. Dividir as responsabilidades dessa maneira aproximará os amigos e a família nos cada vez mais raros instantes de lazer.

FONTES:
<http://www.suapesquisa.com/dia_internacional_da_mulher.htm> (acesso em 22/02/2016)
<http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2010/11/11/mulher-chefe-de-familia-e-a-que-trabalha-mais-em-casa-e-no-emprego-diz-ipea.htm>  (acesso em 22/02/2016)

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